Concurseiros graduados: potiguares acima de 50 anos disputam vagas
Eles já têm uma carreira profissional, bastante experiência e alguma estabilidade financeira. Mesmo assim, estão encarando o desafio de passar num concurso público. É o público que já passou dos 50 anos de idade e está frequentando as salas de aula para vencer a concorrência. O diretor do IAP Cursos, Aldo Rocha Filho, afirma esse segmento é composto de servidores públicos, com nível superior e estabilidade financeira. "É um público qualificado, mais esclarecido sobre o desafio dos concursos e que procuram aqueles que oferecem os melhores salários. São exemplos de pessoas que não se acomodaram". Segundo a coordenadora Mônica Bezerra, eles são maioria nas turmas da área fiscal, enquanto a faixa etária nos outros cursos está entre os 20 e os 35 anos.
A arquiteta Gilda Aguiar do Monte, 52 anos, encontrou nos concursos públicos a solução para sair da crise financeira mundial. "Como sou autônoma, não tenho estabilidade. Trabalho com projetos e, como a crise afetou bastante a construção civil, minha área foi prejudicada. O concurso oferece essa estabilidade". Após ser aprovada, Gilda planeja continuar desenvolvendo projetos. "Adoro minha profissão e não penso em aposentadoria". A decisão de enveredar pelos concursos veio em conjunto com a filha Camila, 20, no ano passado. "Ela está terminando a faculdade e também quer estabilidade". As duas frequentam juntas o cursinho. Agora, suas tardes e noites são dedicadas ao estudo. "Passar em um concurso é questão de paciência. O mercado está cada vez mais restrito e a concorrência é altíssima. Estou começando agora, agregando conhecimentos, mas iremos tentar até sermos aprovadas", diz a arquiteta.
O biólogo Marcelo Lima, 52, busca estabilidade no emprego. "Embora eu trabalhe há 28 anos, não tenho um contrato que me dê segurança". Marcelo atua como consultor no ramo da carcinicultura, um trabalho freelancer. "Ganho bem e nunca fiquei desempregado, mas a idade vem chegando e isso pode ser um limitador, o pessoal pode querer alguém mais jovem ou que cobre menos pelo serviço". Há dois anos Marcelo se prepara para a área policial. "Como o trabalho é por escala, eu poderia manter minha consultoria. Melhoraria bastante minha vida". Na sua empreitada, ele conta com o apoio da mulher e dos quatro filhos. "É importante porque o tempo que eu passo no cursinho, estou deixando de ganhar dinheiro". A estabilidade refletiria ainda numa aposentadoria melhor. "É uma garantia de um vencimento mais razoável". Seu grande desafio são os testes físicos: "A idade é um fator limitante, de exclusão mesmo. Estou batalhando para superar isso. Não bebo, não fumo, durmo bem, me exercito quatro vezes por semana, mas sinto o peso da idade, ao correr 2.100 metros em 12 minutos. Deveria haver uma diferenciação".
Conceição Aguiar, 49, é funcionária pública em Rondônia. Licenciada do cargo de agente de polícia há dois anos para acompanhar um tratamento médico do marido, ela aproveita o tempo em Natal para se preparar para os concursos de agente da Polícia Rodoviária Federal e de delegado da Polícia Federal. Com duas filhas, formada em ciências contábeis e em direito, Conceição já foi aprovada em diversos concursos, mas quer seguir na área policial. Ela precisa de apenas três anos de trabalho para ter direito à aposentadoria, mas não quer nem ouvir falar sobre isso. "Só daqui a 20 anos". Bastante ativa, ela afirma: "Quem se aposenta aos 60, para muito cedo. Gosto de trabalhar, me realizo, me sinto inútil dentro de casa". Financeiramente estável, ela busca mesmo é atividade. Para se preparar, pouco sono (apenas cinco horas diárias) e muito estudo e exercícios físicos, para enfrentar os testes. Há um ano e meio faz preparatório. Estuda três horas no cursinho e mais quatro em casa, além de correr e nadar